Benchmarking: um traço cultural importante da cultura AB InBev

Este trecho abaixo foi extraído do livro "The 3G Way: Dream, People, and Culture", de Francisco Homem de Mello, cofundador da Qulture.Rocks, e descreve um pouco a cultura de benchmarking desenvolvida por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles, e Beto Sicupira:

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Bom senso é tão bom quanto grandes conhecimentos. O simples é melhor que o complicado

A inovação que agrega valor é útil, mas copiar o que já funciona bem é normalmente mais prático

- Os 18 mandamentos

Uma das grandes características da cultura 3G é copiar, sempre que possível, as melhores práticas de cada uma das atividades em que tomam parte, sem ter a pretensão muitas vezes improdutiva de serem os investidores, ou pais, das idéias.

Algumas das principais inspirações do grupo foram resumidas em uma entrevista dada por Jorge Paulo Lemann à revista HSM Management:

“Entre nossas grandes influências estiveram o melhor banco de investimentos no mundo hoje em dia, o Goldman Sachs –com eles aprendemos a meritocracia, o treinamento intenso e a necessidade de dar oportunidades para as pessoas–, o Wal-Mart –com o fundador Sam Walton aprendemos que, para chegar ao pote de ouro no fim do arco-íris, tem de ter calma para percorrer todo o arco-íris, além de motivar muito os funcionários, tratá-los bem e aos clientes também– e a General Eletric –não tivemos contato direto com eles, como foi nos outros dois casos, mas sempre lemos tudo o que saía sobre Jack Welch; os relatórios anuais da GE eram nossa Bíblia. Baseados nessas três vertentes e mais no que estávamos aprendendo ao fazer os negócios, fomos construindo nossa própria cultura”.

Lemann destaca a Goldman Sachs, a Wal-Mart, e a GE, entre suas principais influências. A aproximação do fundador da Wal-Mart, Sam Walton, é descrita em diversas matérias sobre o trio, e mostra a humildade com que os três encaram seu processo de aprendizado. Quando compraram as Lojas Americanas, na década de 80, resolveram escrever para os principais varejistas do mundo, entre eles o Wal-Mart, pedindo que pudessem visita-los in loco, para trocar experiências. O único empresário que respondeu ao trio, e que curiosamente se mostrou de longe o mais bem sucedido varejista do mundo, foi Walton, que recebeu-os em Bentonville.

Processo similar foi adotado quando do Garantia. Lemann conseguiu com seus contatos que seu então sócio, Luiz Cezar Fernandes, fizesse um estágio de um mês na sede nova iorquina do banco, com quem aprenderam a forma de praticar a partnership (sistema utilizado até hoje com altos executivos), além da remuneração variável, e da forma de gerir pessoas.

Já nos tempos de Brahma e AmBev, a prática de benchmarking não perdeu força. Em entrevista, Magim Rodrigues, ex-presidente da AmBev contratado da Lacta, diz que “Benchmark é um negócio que funciona em qualquer atividade. Nos tempos da AmBev, eu e o Marcel viajamos o mundo atrás de referências. Estivemos na Anheuser- Busch, na Coors e em pelo menos outra meia dúzia de cervejarias para entender as melhores práticas do setor.” Os aprendizados também envolveram a contratação de consultorias como a Danbrew, firma Dinamarquesa totalmente especializada no processo de fabricação de cerveja.