A difícil tarefa de dar um feedback

Certas coisas aprendemos com naturalidade. Correr, por exemplo, é algo que desenvolvemos de maneira fluida e aparentemente sem esforço: ainda quando bebês começamos a arranhar um trote, que vai se desenvolvendo à medida em que ganhamos força nas pernas e torso, e que passamos a enfrentar desafios maiores, como o primeiro pega-pega na escola. Quem decide virar fundista ou sprinter profissional já parte de uma boa dose de instinto, a partir da qual refina seus movimentos. Mas nunca vamos encontrar uma pessoa no mundo que, em sã capacidade física, não saiba, mais ou menos elegantemente, correr.


Feedback, ou a arte e ciência de ajudar os outros a melhorarem em suas atividades a partir da observação de seus comportamentos, não é dessas atividades que desenvolvemos naturalmente. Imagine a cena: você está em um bar, rodeado de amigos, e um deles conta uma piada. Metade da mesa ri um pouco. Um quarto gargalha por um ou dois segundos de maneira nervosa. O outro quarto nem se preocupa em demonstrar algum agrado. Você chama seu amigo: “Rodrigo, podemos dar uma voltinha?” Você leva seu amigo à varanda do bar, e explica: “olha, acho que sua piada não foi muito feliz. Sabe, você precisa dar mais ritmo no começo da piada, que demorou demais. Precisa também ir subindo gradativamente a tensão dos seus ouvintes. O punch-line foi fraco, e ninguém percebeu que a piada tinha terminado. Você precisa adicionar uma pausa pra pegar a atenção deles. Trabalhe esses aspectos por alguns dias, e volte pra me apresentar a piada de novo.” Ia ser bem bizarro não?


Feedback e excelência em culturas de alta performance


Carlos Brito, CEO da AB InBev, gosta de dizer que a cultura da cervejeira é um time profissional, e não uma família. As pessoas trabalham junto, se ajudam, mas estão buscando a mais alta performance e excelência. O feedback é parte imprescindível de qualquer cultura que almeje a excelência.


O famoso feedback sanduíche


A forma mais popular, e às vezes efetiva, de comunicar feedback é o sanduíche de merda. A técnica foi descrita no Gerente-Minuto, livro clássico de auto-ajuda profissional muito popular na década de 90, e é conhecidamente usado por grandes empresas de consultoria, como a McKinsey, como o ABC do feedback.


O sanduíche de merda começa com um elogio ao receptor do feedback: você diz a ele o quanto ele é importante para a empresa, e destaca um ou dois comportamentos do funcionário que causam bom impacto nos resultados do time. Essa é a primeira fatia de pão. Em seguida, vem a merda, ou o recheio do sanduíche: aqui você identifica o comportamento que deve ser corrigido, ou seja, a parte difícil. Por fim, você termina com a segunda fatia de pão: um lembrete do elogio que começou a conversa, e da importância do funcionário.
Essa técnica é exatamente o que dissemos: o ABC do feedback. Mas ela tem algumas importantes limitações:

  • Muito formal: o fato de ter de ser planejado com antecedência faz com que ele perca sua espontaneidade, e seja difícil de ser feito no ato, assim que o comportamento acontecer
  • Artificial: assim que usado a primeira vez, o sanduíche de merda fica altamente previsível. E sempre que você elogiar alguém, a pessoa já vai pensar “ihhh, aí vem merda”
  • Limitado: Não funciona com profissionais mais experientes/sêniores, que já saberão muito antes do que se trata, e te acharão um principiante por usá-la

Mesmo assim, o sanduba pode ser uma técnica útil para gestores de pessoas de primeira viagem que estejam liderando equipes jovens, e pela primeira vez.

Pensando em ajudar profissionais com este tema complicado, desenvolvemos o Guia Definitivo de Feedback Qulture Rocks, com ele você compreenderá alguns cuidados e frameworks pra se dar um bom feedback. Confira aqui!