Sobre motivação, bônus e Daniel Pink

Como extrair o melhor comportamento possível das pessoas? Como conseguir que elas dêem o melhor de si no trabalho, e consequentemente, que a empresa obtenha os melhores resultados que pode dada uma quantidade fixa de potencial (sejam eles financeiros, mercadológicos, tecnológicos, etc)?

Há décadas, gestores esperam motivar seus funcionários a darem o seu melhor usando uma combinação de "carrots and sticks": incentivos financeiros, como prêmios e bônus para quem entrega, e punições, como advertências, planos de recuperação e menos recompensas para aqueles que não entregam.

Daniel Pink, autor de Drive, é um dos defensores de modelos alternativos de motivação (apesar de ser um daqueles autores como Malcolm Gladwell e trupe que distorcem a ciência para reforçarem um ponto, achamos que Pink têm bons argumentos se lido "com uma pitada de sal"). O guru acredita em um modelo de motivação intrínseca tripartite e baseado em autonomia, aprimoramento (tradução nossa para "mastery") e propósito, como muito mais potente do que motivadores extrínsecos.

Aqui na Qulture.Rocks, achamos que quaisquer fórmulas genéricas são perigosas. Acreditamos que diferentes profissões e atividades atraem diferentes tipos de personalidade, que, na média, respondem a "pacotes" de incentivos diferentes.

Bons vendedores, por exemplo, geralmente foram bons atletas juvenis, e respondem muito bem a motivadores extrínsecos, como bônus, metas e prêmios. É a turma do fundão.

Bons engenheiros, designers e responsáveis por produto, por outro lado, geralmente foram "crânios" na escola, e extraem motivação de dentro de si próprios. É a turma que jogava Magic the Gathering e prestava atenção na aula. Eles respondem muito mal a motivadores extrínsecos, e muito bem ao seu senso de propósito, a serem referências técnicas para seus pares e à sensação de que estão se aprimorando nas suas atividades (é o espírito de "craftsmen").

(Obviamente, estamos brincando com estereótipos, e de maneira nenhuma queremos reforçá-los. Mas usá-los também ilustra bem uma discussão extremamente relevante para empresas e empresários de todos os tamanhos, e pode ajudar bastante o entendimento do desafio. Não quer dizer que não possam existir exceções, é claro.)

Não temos nenhuma regra de bolso mágica que resolva esse grande desafio, mas queremos que você pense 3.000 vezes antes de tentar aplicar uma solução única para perfis profissionais e de personalidade diferentes.