Na última edição do QInsights, a Qulture Rocks recebeu cerca de 110 pessoas em seu escritório, em São Paulo, para uma tarde de conteúdo sobre desenvolvimento, performance e aprendizagem.

O encontro, que reuniu clientes, parceiros e convidados, contou com uma palestra de Clóvis de Barros Filho sobre o tema “O Poder da Curiosidade Para o Desenvolvimento de Pessoas e Organizações”.

Profissionais de RH participam do QInsights, evento da Qulture Rocks, no escritório do UOL EdTech.

O evento também marcou um momento importante para a Qulture Rocks: na abertura, a empresa apresentou para os convidados a nova etapa de sua trajetória, conectando diagnóstico, desenvolvimento, educação corporativa e consultoria em uma jornada mais integrada.

A curiosidade apareceu como fio condutor dessa evolução: não como palavra bonita para colocar em campanha, mas como prática de movimento, atualização e inconformismo produtivo.

Na palestra, Clóvis fez o que costuma fazer bem: levou a plateia da risada à reflexão em poucos minutos. Sem transformar curiosidade em clichê corporativo, ele partiu da filosofia para explicar por que aprender depende de desejo, consciência, valor e alegria.

A seguir, reunimos cinco lições que ficaram da conversa.

1. Curiosidade começa quando a falta faz falta

Para Clóvis, curiosidade é um tipo específico de desejo: o desejo de conhecimento, e todo desejo nasce de uma falta. Mas o detalhe decisivo dessa definição é que não basta algo faltar, é preciso que essa falta seja percebida como importante.

A provocação é simples, no sentindo de que muitas coisas nos faltam, mas nem todas nos mobilizam. Uma pessoa pode não saber astrofísica, química orgânica ou mecânica dos fluidos e seguir a vida sem incômodo. Isso leva ao reconhecimento de que:

a curiosidade aparece quando a ausência de conhecimento pesa, chama atenção e cria movimento.

No contexto das organizações, essa lição muda o jeito de olhar para desenvolvimento.

Aprender não começa com uma trilha isolada, um curso ou uma competência mapeada, mas sim quando a pessoa entende que determinado conhecimento melhora sua atuação, amplia sua visão ou destrava uma possibilidade concreta.

2. Ser curioso exige admitir a própria ignorância

Uma das frases mais provocativas da palestra foi a ideia de que o curioso é, necessariamente, um ignorante. A palavra pode soar dura no uso cotidiano, mas Clóvis a resgatou pelo sentido filosófico: ignorante é quem ainda não sabe.

O ponto não é diminuir ninguém; apenas lembrar que não existe curiosidade em quem se coloca como dono de todas as respostas. Para que a curiosidade exista, é preciso reconhecer que algo falta. Mais do que isso, é preciso ter consciência dessa falta.

Esse é um desafio conhecido dentro das empresas:

em ambientes que premiam apenas a certeza, admitir dúvida pode parecer sinal de fraqueza.

O resultado é um tipo de autoconfiança performática, em que as pessoas sentem que precisam demonstrar domínio o tempo todo. A palestra, no entanto, indicou outro caminho: a curiosidade depende de espaços onde o “ainda não sei” possa aparecer sem constrangimento.

3. Nem todo conhecimento desperta curiosidade

Clóvis também lembrou que a curiosidade não se dirige a qualquer coisa; as pessoas se interessam por aquilo que percebem como valioso. E valor, nesse caso, não é universal, mas sim depende da trajetória, dos desejos, das necessidades e dos afetos de cada pessoa.

Essa reflexão toca em um ponto sensível da educação corporativa:

muitas vezes, empresas oferecem conteúdos que fazem sentido para a estratégia, mas não necessariamente dialogam com a curiosidade genuína das pessoas.

O resultado pode ser conhecido por muitos times de RH: cursos corretos no papel, mas pouco vivos na experiência. E a lição, naturalmente, não é abandonar as necessidades da organização.

O caminho sugerido é criar pontes mais claras entre o que a empresa precisa desenvolver e o que faz sentido para quem aprende. Quando o conteúdo encontra valor na vida real da pessoa, a curiosidade ganha tração.

Em outras palavras, boas estratégias de desenvolvimento não empurram o conhecimento "goela abaixo", mas sim ajudam a decodificar por que aquele conhecimento importa.

4. Aprender precisa ter vínculo com alegria

Um dos momentos centrais da palestra foi a relação entre curiosidade e alegria. Clóvis usou a filosofia de Spinoza para explicar alegria como passagem para um estado mais potente de si mesmo.

Aplicada ao aprendizado, a ideia é bem direta: quando aprender aumenta nossa potência, aprender se torna desejável.

Essa é uma virada importante. Muita gente aprendeu, ao longo da vida, a associar estudo a cobrança, prova, obrigação e medo de errar. Quando esse vínculo se repete, o corpo entende que aprender é ameaça e a curiosidade perde espaço.

Por outro lado, quando aprender gera satisfação, repertório, autonomia e sensação de avanço, a pessoa passa a buscar mais:

a curiosidade nasce também dessa memória positiva: a expectativa de que saber algo novo pode tornar a vida mais interessante, o trabalho mais inteligente e a atuação mais potente.

Para empresas, a mensagem é a de que experiências de aprendizagem precisam entregar mais do que conteúdo. Precisam criar clareza, envolvimento e pequenos sinais de evolução percebida.

5. Curiosidade não se cria por decreto

Clóvis foi direto ao ponto: não se fabrica uma pessoa curiosa de um dia para o outro. Também não basta escrever “somos curiosos” em uma parede, em um valor corporativo ou em uma campanha interna. A curiosidade precisa de preparo.

Ele chamou atenção para o “prazer do espírito”, aquele prazer que nasce do pensamento, da compreensão e da descoberta. Porém, esse prazer exige formação, repertório e iniciação.

Em outras palavras, ninguém passa a gostar de filosofia, literatura, música clássica ou qualquer outro campo complexo apenas por ordem externa. É preciso criar condições de entrada.

Nas organizações, isso significa tratar cultura de aprendizagem como construção, não como comando.

Pessoas curiosas surgem em ambientes que oferecem contexto, tempo, segurança e conexão com problemas reais. Surgem onde a pergunta é valorizada, mas também onde há método para transformar pergunta em desenvolvimento.

Curiosidade, nesse sentido, é menos um traço individual isolado e mais uma competência cultivada no encontro entre pessoa, ambiente e propósito.

Na Qulture Rocks, curiosidade é cultura

O Q Insights mostrou que curiosidade não é apenas vontade de saber mais: é reconhecer o que falta, atribuir valor ao aprendizado e criar disposição para seguir evoluindo.

Na visão de Clóvis, pessoas curiosas tendem a viver com mais potência porque mantêm aberta a possibilidade de aprender, rever certezas e ampliar o próprio mundo.

Para a Qulture Rocks, essa reflexão conversa diretamente com a nova fase da marca. Integrar diagnóstico, desenvolvimento, educação corporativa e consultoria é também uma forma de transformar curiosidade em jornada:

  • entender onde as pessoas estão;
  • decodificar o que precisa evoluir; e,
  • criar caminhos para que aprendizado gere resultado.

No fim, a palestra deixou uma lição que segue para além do evento: curiosidade não é enfeite de cultura. É prática. É movimento. É o ponto de partida para pessoas e organizações que não se contentam em repetir o que já sabem.

Quer saber como fomentar uma cultura de desenvolvimento e potência na sua empresa? Converse com nossos especialistas!